
Cametá (PA) — A Colônia de Pescadores Z16, em Cametá, nordeste do Pará, enfrenta mais uma crise. A eleição marcada para o próximo 21 de maio gerou revolta entre pescadores e lideranças locais, que afirmam ter sido surpreendidos pela forma como o processo foi convocado.
Convocação sob críticas
De acordo com relatos, o edital foi divulgado sem ampla divulgação e com prazo considerado insuficiente para a organização de chapas e mobilização da categoria. Muitos afirmam que só tiveram conhecimento da eleição poucos dias antes, o que inviabiliza qualquer disputa equilibrada. “Esse tipo de convocação reduz a participação e favorece quem já está no comando”, disse uma liderança.
Raízes da crise
A polêmica atual se soma a um histórico de denúncias. Reportagens nacionais já haviam apontado irregularidades no seguro-defeso — benefício bilionário pago a pescadores artesanais durante o período de proibição da pesca. Fraudes em registros, inclusão de pessoas sem vínculo com a pesca e inconsistências em cadastros colocaram diversas entidades sob suspeita, incluindo a Colônia Z16.
Influência nos bastidores
Entre os pescadores, o nome do ex-presidente Zé Fernandes continua sendo citado. Mesmo fora da presidência, ele é apontado como figura influente nas decisões internas da entidade. Até o momento, não houve manifestação pública dele sobre as acusações.
Conexão nacional
A disputa em Cametá se conecta a investigações federais sobre fraudes milionárias no seguro-defeso em todo o país. Esse contexto aumenta a pressão por maior transparência e responsabilidade nas entidades representativas da pesca.
O que está em jogo
Para os pescadores, a eleição não é apenas uma escolha de diretoria.
Silêncio e mobilização
Procurados, representantes da atual direção e o ex-presidente Zé Fernandes não se pronunciaram. Enquanto isso, lideranças locais organizam reuniões e assembleias para discutir medidas que garantam maior participação e legitimidade.
Alerta para o Pará
O caso de Cametá expõe um problema estrutural: a fragilidade da governança nas entidades que representam trabalhadores da pesca. Sem transparência, crises e denúncias tendem a se repetir — e quem sofre as consequências são os próprios pescadores.
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